domingo, 10 de novembro de 2013

Os Hunza, O Povo Que Guarda o Segredo

Ouvi falar pela primeira vez no Povo Hunza em 1969 quando comecei a mastigar arroz integral fazendo Macrobiótica, orientado pelo Kikuchi e o Zanatta no bairro da Liberdade em Sampa. Fiquei encantado com os Hunza e, no meu imaginário sem internet, vislumbrava esse povo simples, alegre e saudável vivendo num Jardim do Éden em pleno Himalaia. A região dos Hunza fica na junção norte do Paquistão, Índia, Afganistão e todos aqueles países terminados em "istão". É lá perto daquelas bandas onde pegaram o Bin Laden e o pau está comendo até hoje, e os drones sobrevoam mais que andorinha no verão. Um oásis no meio do inferno da região.
São apenas 30 mil habitantes no Vale do Hunza, um vale paradisíaco a 2500 mil metros de altitude, nas montanhas do Kush Hindu, onde se bebe a água que os riachos trazem das geleiras eternas dos Himalaias.
A região onde vivem os Hunza é um verdadeiro “Oasis da Juventude”. Seus habitantes amigáveis e hospitaleiros quase nunca ficam doentes, e aparentam serem muito mais jovens do que realmente são e lá processo de envelhecimento parece caminhar mais lento. Inclusive pessoas com 100 anos disputam brincadeiras a céu aberto com outras "crianças" com metade da sua idade. Não é raro os anciãos atingirem os 130 anos e alguns deles os 145 anos, segundo Chrisitan Godefroy autor do livro ”Os Segredos de Saúde dos Hunzas”. Mas com saúde. Essa é a diferença.
Foi um médico escocês, Mac Carrisson que descobriu esse povo e com ele conviveu por 7 anos. Primeiramente constatou que os Hunzas eram dotados de uma saúde excepcional. Parece que eram imunizados contra as doenças modernas principalmente o câncer e o infarto do miocárdio e que não conheciam a palavra doença. De fato, eles estão resguardados da artrite, varizes, problemas intestinais, úlceras gástricas, apendicites e o mais surpreendente é que as crianças não apresentam caxumba, sarampo ou varicela e a mortalidade infantil é muito baixa, mesmo com parto natural. Não é raro ver os Hunzas de 90 anos procriarem e as mulheres com mais de 80 anos passarem por mulheres ocidentais com 40 anos, quando estão em plena forma.
O Dr. Mac Carrisson referiu ter encontrado mulheres Hunza “com mais de 80 anos que executavam, sem a menor aparência de fadiga, trabalhos físicos extremamente árduos durante horas. Vivendo nas montanhas, elas são obrigadas a subir desníveis consideráveis para realizar as suas tarefas quotidianas. Além disso, mesmo em idade avançada as mulheres Hunza permanecem esbeltas e têm um porte de rainha, caminhando com agilidade e elegância. Elas não conhecem a existência da palavra dieta e ainda menos a da obesidade. A celulite também não tem qualquer significado para elas. Os homens são igualmente surpreendentes devido à resistência e vigor, apesar da idade”.
Segundo o livro, a regra de base da alimentação desse povo é a frugalidade: “Uma frugalidade que não seria excessivo qualificar de extrema.
Os Hunza só tomam duas refeições por dia. A primeira refeição é ao meio-dia. Ora como os Hunza se levantam todas as manhãs por volta das cinco horas, isto pode surpreender-nos, a nós que estamos habituados a tomar almoços copiosos, embora a nossa vida seja essencialmente sedentária. Os Hunza conseguem realizar os seus trabalhos árduos de agricultura durante toda a manhã com o estômago vazio”.
É interessante comentar cientificamente que a atividade física ou exercício feito em jejum proporciona os maiores efeitos de ação das "enzimas antioxidantes Sódio/Cobre/Zinco citoplasmáticas" e a "Sódio Manganês mitocondrial", entretanto devemos salientar que o aumento da capacidade antioxidante não proporciona longevidade de 110 ou 120 anos.
Já a frugalidade, com uma restrição calórica de 30% é a única maneira provada na literatura médica de bom nível, de aumentar a expectativa de vida de mamíferos.
Ainda de acordo com o livro de Godefroy, “Os Hunza alimentam-se principalmente de cereais, incluindo a cevada, o milho miúdo, o trigo mourisco e o trigo candial (novo). Consomem igualmente, com regularidade, frutas e legumes que, de um modo geral, comem frescos e crus ou cozidos apenas muito ligeiramente.
Entre os seus frutos e legumes prediletos, contam-se a batata, as ervilhas, o feijão, a cenoura, o nabo, a abóbora, o espinafre, a alface, a maçã, a pêra, o pêssego, abricó (apricot), as cerejas e as amoras. O caroço do abricó é particularmente apreciado e sempre presente na mesa dos Hunza. Eles consomem a amêndoa do caroço do abricó ao natural ou extraem-lhe o óleo através de um processo transmitido de geração em geração.
O leite e o queijo são também para os Hunza uma fonte de proteínas animais, mas obtidos naturalmente sem o efeito nocivo do abuso criminoso dos animais, da fome ou sacrifício dos bezerros, dos hormônios lucrativos de crescimento acelerado,  medicamentos, aditivos, antibióticos, rações "enriquecidas", metais pesados, etc. e tal.  Quanto à carne, não é completamente banida da mesa, mas só é consumida em ocasiões raras, por exemplo, em casamentos ou em festas, e mesmo aí as porções são extremamente reduzidas. A carne é cortada em pequenos bocados e cozida muito lentamente. É rara a carne de vaca e a de carneiro, já que a de criação é mais acessível. Mas o que é mais importante reter é que, sem serem totalmente vegetarianos, os Hunza, em grande parte devido a razões exteriores, não concedem lugar à carne no seu menu quotidiano mesmo sendo os animais criados comendo a sua alimentação natural sem esse lixão moderno. Lembrei-me agora de um fazendeiro pecuarista, pai de uma amiga de Rio Preto, que perguntado por mim como fazia para evitar que o seu gado fosse rejeitado no abate logo após ter tomado o perigoso hormônio de crescimento, respondeu: "- Não há controle. Se eu tiver uma promissória vencendo no banco e tiver que pagar, não tem jeito. Vai para o abate..."
O iogurte ocupa, tal como os legumes, ocupa um lugar na alimentação mas feito em casa, de forma natural, sem aditivos. Não foram somente os Hunza que compreenderam as propriedades do iogurte. Os Búlgaros, que são grandes adeptos do iogurte (natural mesmo), contam na sua população mais de 1666 nonagenários por milhão de habitantes. No ocidente, temos apenas nove nonagenários por milhão de habitantes. A diferença, que é considerável, dá o que pensar e incentiva certamente o consumo de iogurtes. Entretanto, a existência dos nonagenários ocidentais com doenças é muito diferente do que estamos tratando aqui.
“As nozes, as amêndoas, as avelãs e os frutos ocupam um lugar importante no menu Hunza. Acompanhados de frutas ou de verduras, por exemplo, na salada, constitui para eles uma refeição completa. Não se pode falar devidamente da alimentação do povo Hunza sem fazer referência a um alimento que é a sua base, ou seja, um pão especial chamado chapatti. Os Hunzas comem este pão em todas as refeições. Os especialistas acreditam que o consumo regular deste pão especial tem influência no fato de um Hunza de 90 anos ainda conseguir fecundar uma mulher, o que, no Ocidente, não passaria de uma fantástica proeza. O chapatti contém realmente todos os elementos essenciais, pois na sua composição entram a farinha de trigo integral, incluindo o gérmen da semente e as farinhas de cevada, de trigo mourisco (sarraceno) e de milho miúdo”
No livro de Godefroy encontramos a receita deste pão, alimento indispensável na mesa deste povo.
“É importante ressaltar que para o povo Hunza não existe a aposentadoria, e as pessoas mesmo com idade avançada, além do respeito com que são tratadas continuam as suas atividades com alegria e disposição. O trabalho não é considerado um peso, como acham os sindicalistas na sua miopia, sempre querendo diminuir a jornada mas aumentando o salário. O peso é trabalhar sem gostar do que se faz. Os idosos são alvo de uma grande admiração por parte dos jovens. Em vez de interromperem bruscamente as suas atividades, eles optam por modificar gradualmente a natureza das mesmas, o que, de resto, não os dispensa sequer das atividades físicas às quais se entregam até uma idade avançada”.
O autor não lança nenhuma hipótese para o que acontece em Hunza, exceto o convite para nós ocidentais imitarmos o quanto possível a alimentação e o estilo de vida deste povo. A grande longevidade sem doenças encontradas nestas regiões, entretanto, tem alguns indícios claros:

  • graças à uma herança cultural simples, esse povo pratica naturalmente a prevenção das doenças e não a cura após ter ficado doente.
  • a sua água desce das geleiras eternas e não das represas poluídas. Ela não é "reciclada" e não tem flúor, cloro, mercúrio, metais pesados, coliformes  e micro-organismos nocivos.
  • a comida é feita de vegetais naturais com sal integral, pois não existe sal "refinado", iodado, e com a parafernália industrial de aditivos químicos, e é  preparada sem teflon, molhos industrializados,  açúcar refinado, etc.
  • a atividade física é constante e alegre graças à  própria energia incessante decorrente da saúde
  • não há uso de remédios constantes, falsos e perigosos porque não há doenças  em volume crescente como no resto do mundo
  • a vida não tem o stress de ter que "ser sempre o primeiro, o vencedor", e os valores modernos capitalistas do "tempo é dinheiro". Aliás, você já ouviu a música "Sinal Fechado" do Paulinho da Viola? É sobre isso. Na mosca.
  • São, ou eram, 30 mil pessoas num ambiente fechado e saudável o que torna as coisas mais fáceis e controláveis culturalmente, e não 7 bilhões crescendo como pipoca no planeta. Nós chamamos os Hunza de sociedade primitiva. Muita arrogância, né não?...

Sei que não temos muita escolha para mudar o nosso em torno, mas... pense nisso.

Quem quiser acessar e ler gratuitamente as informações mais detalhadas do pequeno livro do Chrisitan H. Godefroy  ”Os Segredos de Saúde dos Hunzas” (29 págs.) clique aqui. Vale a pena ler:
http://www.clube-positivo.com/biblioteca/pdf/hunzas.pdf

Um comentário:

  1. Ficaria muito feliz em encontrar esse povo e viver lá o resto da vida, ficaria muito feliz também em poder adotar um estilo de vida como o deles. Infelizmente não é tão fácil quanto falar, não tenho para onde correr, o que posso fazer?

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