quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Meditar? Orar? Para que?

A juntada é proposital. Meditar e orar são a mesma coisa: conexão, não só no Budismo como em quase todas as tradições de busca interior. Ouvi isso de um lama, brasileiro, gaúcho torcedor do Grêmio, físico, amável e bem humorado: Lama Samten, fundador do CEBB – Centro de estudos Budistas Bodisatwa. Grande mestre.
A primeira vez que ouvi isso não ficou muito claro. Meditar, para mim, era algo muito sério, formal e sizudo, algo do tipo “contato com a divindade”, de preferência de roupa domingueira, terno e gravata (rsrs). Orar, por outro lado, era um “pedir algo”, de preferência sem muita pretensão e arrogância, submisso, para agradar a quem ia conceder o pedido. A ficha foi caindo devagarzinho pela vida. Faltava a palavra conexão: meditar é orar.
E ele dizia mais: quando a gente medita e amplia a consciência, não é só a consciência individual que está sendo ampliada, é também a Grande Consciência Universal, que os toltecas aliás chamavam O Mar Escuro da Consciência (ou A Águia), e os cristãos chamam de Deus. Já pensou na responsabilidade? Mas você que medita, não precisa ficar cheio de vaidade não, esse esforço todo de meditação-oração feito na Terra, é só uma foto 3X4 de um grãozinho de pó no Universo. Uma coisica. Por outro lado pode ficar cheio de vaidade, sim: você está contribuindo para A Grande Obra. Pouquinho, mas tá.
Posto isto, vamos agregar uma novidade ao raciocínio, essa já é  do conhecimento tolteca e hindu, entre outros: o Universo é o resultado constante da luta eterna de 2 forças simultâneas, criação e destruição, e por isso a função dos seres vivos com suas experiências de vida, sejam quais forem,  é alimentar esse processo contínuo e crescente de formação da  Consciência, senão babau, não tem Consciência nem Universo. Isso responde à pergunta do Caetano na música Cajuina: ♫ “Existir, a que será que se destina?” ♫... Destina-se a isso: gerar consciência para o Grande Reservatório Cósmico. Isso é feito por tudo que possui vida, desde um vírus até a forma mais sofisticada de vida, passando pelos seres inorgânicos, e outros que nem supomos que existam.
Dizem os toltecas que uma das suas descobertas como videntes foi que essas experiências que a gente adquire pelo fato de viver e “passar por” no mundo, é que na hora da morte temos que entregar isso tudo de volta ao Mar Escuro da Consciência (À Águia), como pagamento pelo fato de termos recebido a dádiva da vida. Uma troca justa. Mas o grande segredo é que eles descobriram que não é necessário entregar a vida na hora da morte junto com as experiências vividas, já que elas são ligadas. Basta separar as duas e entregar só uma cópia das lembranças conscientes adquiridas, e ficar com a vida. Isso significa ficar com a vida após a morte, ou seja uma forma alternativa de morrer. Você não deve estar acreditando, né?...mas não importa, pois o processo para conseguir a cópia não tem muita moleza, não. Vou dar uma dica. Chama-se Recapitulação. É pau puro. Já falamos disso há uns tempos atrás.
Agora para fechar o raciocínio, que você deve estar achando no mínimo bizarro, vem uma frase de um escritor americano, Dannion Brinkley que, atingido por um raio quando falava ao telefone, passou por uma experiência de “quase morte” e ouviu de um Ser do lado de lá:
"Vocês humanos são heróis. Aqueles que vão para a Terra são heróis e heroínas, porque estão fazendo algo que nenhum outro ser espiritual tem coragem de fazer. Vocês foram à Terra criar junto com Deus.....Nós aqui consideramos todos os que vão à Terra como grandes aventureiros. Vocês tem a coragem de ir, expandir sua vida e assumir seu lugar na grande aventura que Deus criou,conhecida como mundo".
Agora entendi a expressão cristã “sentar-se à direita de Deus Todo Poderoso”...
Ler isso me fez estufar o peito: - Sou um deles. Você também. Somos heróis e não sabemos. Estamos ajudando a construção da Divina Obra... Compreendo agora várias coisas: o por que da afirmação budista de que  “a vida é sofrimento”; a fala do Dalai Lama para não levar a vida  a sério porque ela é só um palco, uma viagem e não a nossa casa; o porque até aqui, na descida do raio de criação, viemos no “piloto automático" e agora começa a difícil subida consciente na nossa evolução; o porque, segundo os hindus,  é um privilégio nascer com a forma humana. 

E vamos nessa pessoal...

ATENÇÃO! ATENÇÃO!: Vai começar um ciclo de 10 postagens (diárias) sobre a experiência de "Quase Morri e Voltei"! Coisa finíssima. Não dá pra perder. Recomendamos ler desde o início, para fazer sentido. Boa leitura!

7 comentários:

  1. Arnaldo Preto, vc. escreve muito bem ....ilumina as idéias!!!!!!
    Obrigada

    ResponderExcluir
  2. Ora, Lorena...são os seus olhos (rsrs). É o assunto que é muito bom. Eu costumo dizer "...Eu sou apenas um pobre marquês...
    Resumindo: eu não sei receber elogios. Tô aprendendo. Só na próxima encadernação...(mais rsrs)
    Abração

    ResponderExcluir
  3. É isso aí Lorena, eu também vejo assim.
    O Arnaldo Preto tem uma didática de falar, de colocar a idéia, que faz as coisas que eram difíceis de entender parecerem mais fáceis. Textos grandes e cansativos, são transformados em leves, que nem parecem mais serem grandes. Além da escolha de textos estratégicos para tocar no ser de qualquer um. Isso faz valer a pena aproveitar este blog. Por exemplo essa explicação de entregar a consciência ao mar escuro, sem entregar a vida, está tão didaticamente e alegremente colocada que até uma criancinha entenderia e esse é um assunto conhecido dos Castanedistas, mas olha, nos livros de CC não está colocado de forma tão produtiva como aqui.

    Preto, sei que vc está sendo um veículo apenas. Essas palavras são de reconhecimento e gratidão, não de elogio, não é pessoal. Toma-las como elogio seria vaidade.

    Com afeto Luara

    ResponderExcluir
  4. Arnaldo Preto...é para você
    "Tapete amarelo" (quando vi as flores do Ipê no chão).
    E se meu canto preferido permanecer intacto
    E se o acaso muitas vezes me fizer sorrir
    E se eu me encantar todas as vezes que vir o tapete amarelo vestir a calçada de flor
    Se sentir mais vezes o aroma do pão
    E minha comida preferida virar atração ali na esquina
    E se a manhã ficar azul e o vento invadir a sala de mansinho
    E se o carinho pelo irmão for algumas vezes o que sinto pelo desconhecido
    E se com ele for igual
    E derrepente sentir amor imensamente
    Sem data especial nem presente cronometrado
    Se o natal for novo como é para as crianças
    E se eu quiser estar feliz agora sem esperar ordem ou decreto
    Silenciosa e intimamente feliz
    Agora, sem show de luzes nem música especial
    Agora, quieta e sóbria
    Agora, como o tapete amarelo

    ResponderExcluir
  5. Belezura de poesia cumadre. É você que escreve bem.
    Abraço

    ResponderExcluir
  6. Luara, obrigado. O importante é tocar as pessoas para a busca.
    Abraço

    ResponderExcluir
  7. gostaria de nos contatar-mos tenho algumas ideias que estou praticando sobre o sun gazing
    jaryson1@hotmail.com

    ResponderExcluir